Em se tratando de bem
viver, surge naturalmente uma indagação: qual tem sido realmente nosso
posicionamento humano frente à vida e à história que vamos construindo? É
evidente que vive bem todo aquele que não está centrado em si mesmo e que é capaz
de abrir o seu coração para permitir que o mesmo possa sentir também as dores e
os sentimentos de outras pessoas.
Quando o ser humano
abre-se a esta perspectiva, ele se torna apto às experiências da compaixão e da
empatia. E estas experiências são fundamentais no processo de construção da
identidade da pessoa como ser humano de fato. Aquele que se abre ao outro,
torna-se mais ele mesmo, mais capaz de superar suas próprias limitações e de
aceitar as suas misérias. Ao contrário, se alguém se fecha em si mesmo,
torna-se uma pessoa imatura, incapaz de perceber no outro um companheiro de uma
mesma jornada.
Daí que devemos nos
esforçar para ver o outro como alguém que pode nos ajudar a descobrir o
verdadeiro sentido de nossa existência. Emanuel Levinás, um filósofo judeu,
insistiu muito na valorização em nossas vidas, da pessoa do outro, tendo em
vista que o encontro com o seu rosto vai colaborar com a constituição de nossa
própria identidade. Não se trata de supervalorizar o outro em detrimento de si
mesmo, mas de não colocar em posições conflitantes e opostas o “eu” e o “tu”.
Trata-se, antes, de um esforço sincero de não se deixar levar pelo
individualismo que só exige o “venha a nós” e colocar-se como pessoa à
disposição do outro para um encontro com ele, sincero e transparente.
Afinal, isso é ser pessoa:
é ser “você mesmo”, dispondo-se livremente para o encontro com o outro. Não
obstante nossos medos, fechar-se em si mesmo é impedir o próprio crescimento
humano. Abrir-se é dar oportunidade a nós mesmos de nos tornarmos quem devemos
ser diante do totalmente Outro, nosso Deus, e diante dos outros, nossos irmãos.
Vigário Paroquial
Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, Barbacena - MG


O texto é do Pe. Euder?
ResponderExcluirAcho que o mais difícil é quando nos fechamos, não por medo, mas por vergonha. Nos fechamos para nossos pais, amigos, para nós mesmos e para Deus (não necessariamente nessa ordem).
Não é tão fácil abrir o coração e expor nossas feridas, pois se não confiarmos em nosso confidente estaremos colocando "sal e vinagre" na ferida; vai arder, vai doer, e não vai fechar e se curar/cicatrizar...
É proposto no texto: "sermos nós mesmos" com ou sem nossos medos. Para isso não tem segredo: confie. Quem confia ama, quem ama não se espantará ao conhecer nossos segredos. Confie em você, primeiramente, não há outro caminho, confie em Deus, Ele habita em você então está presente no primeiro passo. Confie naqueles que lhe são família/íntimos: pais, irmãos, familiares...JUCOL, são eles que verdadeiramente lhe conhecem, como você é e o ama dessa maneira.
Lindo o texto. Obrigado Pe. Euder e Carlinhos.
Sim Wlad, foi o Padre Euder que fez essa participação especial pra nós.
ResponderExcluirExcelente comentário.