quinta-feira, 26 de novembro de 2015

“O Porco e a Galinha”. Estás envolvido ou comprometido?

Um porco e uma galinha passeavam pela fazenda, quando  o fazendeiro chegou  propôs-lhes um desafio:
– Vocês serão responsáveis por preparar o meu pequeno-almoço diferente todos os dias da semana durante as próximas duas semanas. No caso de falharem, por falta de um menu variado num desses dias, o pequeno-almoço será preparado por mim próprio, sem opção, prepararia bacon com ovos para começar o dia.
Ficaram ambos muito motivados, o porco e a galinha, a cumprir a tarefa de preparar um menu diferente todos os dias.
Tudo correu bem nos dois primeiros dias, o porco sempre de maneira muito pró-ativa começava o dia a pensar no menu para o dia seguinte, separava os ingredientes, planeava as tarefas necessárias, controlava o tempo necessário, inovava na forma de preparação, sempre com o objetivo de cumprir a metas e era ajudado pela galinha que cumpria as tarefas que lhe eram atribuídas.
Os dias passaram, as receitas aumentavam de complexidade, e o porco gastava a maior parte do dia a preparar o menu do dia seguinte, para o fazendeiro. Deixou de ter tempo para atribuir as tarefas à galinha. A galinha passava o tempo livre para picar o chão e a procurar minhocas. Isto diminuía drasticamente o tempo disponível do porco, que se via obrigado a trabalhar ainda mais para cumprir as metas estabelecidas pelo fazendeiro.
Até que um dia antes de terminar o prazo, não conseguiu preparar um pequeno-almoço diferente, devido à exaustão e cansaço acumulado.
O fazendeiro não ao ver que não tinha sido cumprido o objetivo traçado, foi preparar o seu pequeno-almoço, dando indicações aos seus criados:
– Matem o porco para fazer bacon e tragam ovos da galinha!
Fonte: Contada por Marta Vasconcelos, adaptado!
Moral da história: O porco comprometeu-se, a galinha apenas se envolveu!
Esta história fala do envolvimento e comprometimento.
– No teu trabalho.
– Na tua família.
– Na Sociedade.
– …..
Apesar de parecer a mesma coisa, envolvido e comprometido é completamente diferente!
Exemplo no trabalho:
Os envolvidos executam a sua função e reclamam se lhes pedem outras tarefas. Os comprometidos, por seu lado, fazem tudo o que está ao seu alcance para que os objetivos sejam atingidos, encarando novas tarefas como oportunidades de aprendizagem.

Na tua vida, onde já definiste objetivos de sucesso e felicidade. Como estás : comprometido ou envolvido?

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Em breve .... Retiro do JUCOL!

Galera, boa noite, tudo bem com vocês?
Em breve, será realizado um dos eventos mais aguardados pelo grupo, que é o nosso retiro. Ainda estamos definindo data e local e, em breve, passaremos mais informações. O retiro do Jucol é um momento em que nós temos pra estarmos mais próximos de Cristo, e nos sentirmos mais íntimos Dele, que é nosso Senhor e melhor amigo. Geralmente, são 3 dias em que nos reunimos em um sítio, para nos distanciar um pouco da nossa vida corriqueira. Nestes dias, nós temos dinâmicas, brincadeiras, momentos de reflexão, palestras entre várias outras coisas, que realmente vale a pena participar. Os interessados, devem procurar os membros do Jucol. Conto com vocês em mais este evento! Tamo junto povo!!! Deus abençoe!

Encontro do JUCOL nas comunidades - Capela da Paz

No dia 06 de setembro, o grupo JUCOL realizou mais um Encontro nas comunidades, e dessa vez foi a comunidade da Capela da Paz que recebeu com muita alegria o nosso grupo. Com o objetivo de interagir mais com as comunidades próximas a nossa, o grupo fez um espetacular trabalho de evangelização no qual tanto os adolescentes da comunidade puderam aprender, quanto os próprios membros do grupo. Nosso próximo encontro será na comunidade do Morro da Mina com data a ser definida. Em breve postaremos mais informações. Participe com agente!

Carlinhos, Amanda (Pavão) e a Panda( mais conhecida como Adriana) hahahaha












ENCONTRO NAS COMUNIDADES - MUSEU

E ae povo de Deus tudo bem? Mais um encontro nas comunidades realizado no dia 28 de junho deste ano, pelo grupo de jovens JUCOL, e dessa vez, tivemos o privilégio de visitar nossos irmãos da comunidade do Museu. Foi um encontro incrível em que tanto os membros do grupo quanto os da comunidade puderam aprender mais e estar mais próximos de nosso Senhor Jesus Cristo! Nosso próximo encontro será realizado na comunidade do Morro da Mina, com data a definir. Contamos com a presença de todos!!! Paz e bem !!!

domingo, 9 de agosto de 2015

PAPAI, AMO VOCÊ



Papai, amo você

Lembro quando eu era pequenino
E com grande amor, você me disse assim
Filho, a vida tem mais um sentido
Porque Jesus Cristo deu você para mim

Esperei com paciência no Senhor
E Ele atendeu o meu pedido
E agora venho agradecer a Deus
Por ser feliz assim e ter você para mim

Como vou deixar de te abraçar
Neste dia especial
E oferecer com muito amor
Esta canção para você
Pois você me faz feliz demais
Eu venho te agradecer
Não posso deixar de te dizer
Papai, amo você

Pai, você é o meu melhor amigo
Agradeço a Deus que te criou
Já não sou aquele pequenino
Pois um grande homem você me tornou

Muito do que eu sei devo a você
Pois da vida você muito me ensinou
Me tornei um servo do Senhor
Hoje eu sou feliz
Por ter você pra mim

terça-feira, 4 de agosto de 2015

MOMENTO YOUCAT: Em que cremos, O ser humano responde a Deus (cont.)


Y: 22 - Como se crê?

Quem crê procura uma ligação pessoal com Deus e está pronto a crer em tudo o que Ele revelou acerca de Si mesmo. [150-152]

Quando a fé nasce, ocorre com frequência uma perturbação ou um desassossego. O ser humano apercebe-se de que o mundo visível e o decurso normal das coisas não correspondem a tudo o que existe. Sente-se tocado por um mistério. Persegue as pistas que o remetem para a existência de Deus e encontra-se cada vez mais confiante em abordar Deus e, por fim, ligar-se a Ele livremente. Diz-se no Evangelho segundo São João: «A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.» (Jo 1,18) Portanto, temos de crer em Jesus, o Filho de Deus, se queremos saber o que Deus nos quer comunicar. Assim, crer significa aderir a Jesus e entregar a nossa vida inteira nas Suas mãos.

Credo, ut intelligam – Creio, para compreender. Santo Anselmo de Cantuária (1033/34-1109, doutor da Igreja, notável teólogo da Idade Média)

Y: 23 - Existe contradição entre fé e ciência natural?

Não existem contradições insolúveis entre fé e ciência natural, porque não podem existir verdades duplas. [159]

Nenhuma verdade da fé faz concorrência com as verdades da ciência. Só existe uma Verdade, à qual dizem respeito tanto a fé como a razão científica. Deus quis tanto a razão, com que podemos descobrir as estruturas racionais do mundo, como a fé. Por isso, a fé cristã exige e apoia a ciência natural. A fé existe para conhecermos as coisas que, embora não possam ser abarcadas pela razão, existem todavia para além da razão e são reais. A fé lembra à ciência natural que esta não se deve colocar no lugar de Deus, mas servir a Criação. A ciência natural tem de respeitar a dignidade humana, em vez de atentar contra ela.

Ninguém consegue chegar ao conhecimento das coisas divinas e humanas se antes não aprendeu matemática solidamente. Santo Agostinho (354-430, filósofo, bispo e doutor da Igreja)

Entre Deus e ciência natural não encontramos qualquer contradição. Eles não se excluem, como hoje alguns crêem e temem; eles completam-se e implicam-se mutuamente. Max Planck (1858-1947, físico alemão, Nobel da Física, fundador da teoria quântica)


Y: 24 - O que tem a minha fé a ver com a Igreja?

Ninguém pode crer só para si mesmo, como também ninguém consegue viver só para si mesmo. Recebemos a fé da Igreja e vivemo-la em comunhão com todas as pessoas com quem partilhamos a nossa fé. [166-169, 181]

A fé é aquilo que uma pessoa tem de mais pessoal, mas não é um assunto privado. Quem deseja crer tem de poder dizer tanto “eu” como “nós”, pois uma fé que não possa ser partilhada e comunicada seria irracional. Cada crente dá o seu consentimento ao Credo da Igreja. Dela recebeu a fé. Foi ela que, ao longo dos séculos, lhe transmitiu a fé, a guardou de adulterações e a clarificou constantemente. Crer é, portanto, tomar parte numa convicção comum. A fé dos outros transporta-me, como também o fogo da minha fé incendeia os outros e os fortalece. O “eu” e o “nós” da fé remetem-nos para os dois símbolos da fé da Igreja, pronunciados na Liturgia: o Símbolo dos Apóstolos, que começa com (“eu creio”) (-> CREDO), e o grande Símbolo Niceno-Constantinopolitano, que, na sua formam original, começava com credimus (“nós cremos”).credimus (“nós cremos”).

Credo (lat. credo = creio)

Primeira palavra do Símbolo dos Apóstolos, tornou-se a designação para vários textos da Igreja em que os conteúdos essenciais da fé são vinculativamente sintetizados.

Onde estão dois ou três reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles. Mt 18,20

domingo, 2 de agosto de 2015

MOMENTO YOUCAT: Em que cremos, O ser humano responde a Deus



Y: 20 - Como podemos responder a Deus quando Ele nos aborda?



Responder a Deus significa crer n’Ele. [142-149]


Quem deseja crer precisa de um «coração que escuta» (1Rs 3,9). Deus procura o contacto connosco de múltiplas formas. Em cada encontro humano, em cada experiência da Natureza que nos toca, em cada aparente acaso, em cada desafio, em cada sofrimento... Deus deixa-nos uma mensagem escondida. Ele fala-nos ainda mais claramente quando Se dirige a nós pela Sua Palavra ou pela voz da consciência. Ele trata-nos como amigos. Por isso, também nós, como amigos, devemos corresponder-Lhe, crendo e confiando totalmente n’Ele, aprendendo a conhecê-l’O cada vez melhor e a aceitar sem reservas a Sua vontade.

Crer é essencialmente o acolhimento de uma Verdade que a nossa razão não consegue atingir, um acolhimento simples e incondicional, como se se tratasse de uma prova. Beato John Henry Newman (1801-1890, filósofo e teólogo inglês convertido, mais tarde cardeal da Igreja Católica)



Y: 21 - Fé – o que é isso?



Fé é conhecimento e confiança. Tem sete características:

  1. A fé é uma pura dádiva de Deus, que nós obtemos se intensamente a pedirmos.
  2. A fé é a força sobrenatural de que necessariamente precisamos para alcançar a salvação.
  3. A fé requer a vontade livre e a lucidez do ser humano quando ele se abandona ao convite divino.
  4. A fé é absolutamente segura porque Jesus o garante.
  5. A fé é incompleta enquanto não se tornar operante no amor.
  6. A fé cresce na medida em que escutamos cada vez melhor a Palavra de Deus e permanecemos com Ele, na oração, em vivo intercâmbio.
  7. A fé permite-nos já a experiência do alegre antegozo do Céu. [153-165, 179-180, 183-184]
Muitos afirmam que “crer” é demasiado pouco; eles querem é “saber”. A palavra “crer” tem, no entanto, dois sentidos completamente distintos. Se um pára-quedista, no aeroporto, pergunta ao empregado: «O pára-quedas está correctamente acondicionado?», e este casualmente responder: «Hum, creio que sim...», isso então não lhe bastará; ele quer mesmo saber. Se, todavia, ele tiver pedido a um amigo para acondicionar o pára-quedas, e este lhe responder à mesma pergunta: «Sim, eu pessoalmente encarreguei-me de o fazer. Podes confiar em mim!», o pára-quedista responder-lhe-á então: «Está bem, acredito em ti!» Esta fé é muito mais que “conhecimento”, ela significa “certeza”. E esta é a fé que fez Abraão mudar-se para a Terra Prometida, esta é a fé que fez os -> MÁRTIRES perseverarem até à morte, esta é a fé que ainda hoje mantém de pé os cristãos perseguidos. Uma fé que compreende todo o ser humano...


Se tiverdes uma fé comparável a um grão de mostarda, direis a este monte: «Muda-te daqui para acolá», e ele há-de mudar-se. E nada vos será impossível. Mt 17,20

Crer significa sustentar, durante toda a vida, a incompreensibilidade de Deus. Karl Rahner (1904-1984, teólogo alemão)

domingo, 26 de julho de 2015

Salmo 22

1. Salmo de Davi. O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
2. Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes,
3. restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome.
4. Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.
5. Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça.
6. A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida. E habitarei na casa do Senhor por longos dias.

Texto retirado da Bíblia Ave Maria 186ª edição

sábado, 25 de julho de 2015

Salmo 21

1. Ao mestre de canto. Segundo a melodia A corça da aurora. Salmo de Davi.
2. Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? E permaneceis longe de minhas súplicas e de meus gemidos?
3. Meu Deus, clamo de dia e não me respondeis; imploro de noite e não me atendeis.
4. Entretanto, vós habitais em vosso santuário, vós que sois a glória de Israel.
5. Nossos pais puseram sua confiança em vós, esperaram em vós e os livrastes.
6. A vós clamaram e foram salvos; confiaram em vós e não foram confundidos.
7. Eu, porém, sou um verme, não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe.
8. Todos os que me vêem zombam de mim; dizem, meneando a cabeça:
9. Esperou no Senhor, pois que ele o livre, que o salve, se o ama.
10. Sim, fostes vós que me tirastes das entranhas de minha mãe e, seguro, me fizestes repousar em seu seio.
11. Eu vos fui entregue desde o meu nascer, desde o ventre de minha mãe vós sois o meu Deus.
12. Não fiqueis longe de mim, pois estou atribulado; vinde para perto de mim, porque não há quem me ajude.
13. Cercam-me touros numerosos, rodeiam-me touros de Basã;
14. contra mim eles abrem suas fauces, como o leão que ruge e arrebata.
15. Derramo-me como água, todos os meus ossos se desconjuntam; meu coração tornou-se como cera, e derrete-se nas minhas entranhas.
16. Minha garganta está seca qual barro cozido, pega-se no paladar a minha língua: vós me reduzistes ao pó da morte.
17. Sim, rodeia-me uma malta de cães, cerca-me um bando de malfeitores. Traspassaram minhas mãos e meus pés:
18. poderia contar todos os meus ossos. Eles me olham e me observam com alegria,
19. repartem entre si as minhas vestes, e lançam sorte sobre a minha túnica.
20. Porém, vós, Senhor, não vos afasteis de mim; ó meu auxílio, bem depressa me ajudai.
21. Livrai da espada a minha alma, e das garras dos cães a minha vida.
22. Salvai-me a mim, mísero, das fauces do leão e dos chifres dos búfalos.
23. Então, anunciarei vosso nome a meus irmãos, e vos louvarei no meio da assembléia.
24. Vós que temeis o Senhor, louvai-o; vós todos, descendentes de Jacó, aclamai-o; temei-o, todos vós, estirpe de Israel,
25. porque ele não rejeitou nem desprezou a miséria do infeliz, nem dele desviou a sua face, mas o ouviu, quando lhe suplicava.
26. De vós procede o meu louvor na grande assembléia, cumprirei meus votos na presença dos que vos temem.
27. Os pobres comerão e serão saciados; louvarão o Senhor aqueles que o procuram: Vivam para sempre os nossos corações.
28. Hão de se lembrar do Senhor e a ele se converter todos os povos da terra; e diante dele se prostrarão todas as famílias das nações,
29. porque a realeza pertence ao Senhor, e ele impera sobre as nações.
30. Todos os que dormem no seio da terra o adorarão; diante dele se prostrarão os que retornam ao pó.
31. Para ele viverá a minha alma, há de servi-lo minha descendência. Ela falará do Senhor às gerações futuras e proclamará sua justiça ao povo que vai nascer: Eis o que fez o Senhor.

Texto retirado da Bíblia Ave Maria 186ª edição

sexta-feira, 24 de julho de 2015

MOMENTO YOUCAT: Deus aproxima-Se de nós seres humanos (cont.5)

Y:17 - Que significado tem o Antigo Testamento para os cristãos?

No -> ANTIGO TESTAMENTO, Deus mostra-Se como o Criador e o sustento do mundo, como guia e educador da humanidade. Também os livros do Antigo Testamento são Palavra de Deus e Sagrada Escritura. Sem o Antigo Testamento não é possível compreender Jesus. [121-123, 128-130, 140]

No Antigo Testamento começa uma grande história didática sobre a fé, que no Novo Testamento sofre uma decisiva viragem e atinge a meta com o fim do mundo e o retorno de Cristo. Aqui o Antigo Testamento revela-se mais do que um simples prelúdio ao Novo. Os Mandamentos e as profecias do Povo da Antiga Aliança, com as suas promessas para toda a humanidade, nunca foram revogados. Nos livros da Antiga Aliança encontra-se um insubstituível tesouro de orações e de sabedoria; em particular, os Salmos pertencem à oração quotidiana da Igreja.

Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob – não dos filósofos ou dos eruditos! Deus de Jesus Cristo. Só se pode encontrar e guardar nos caminhos instruídos no Evangelho. Blaise Pascal, depois de fazer uma experiência de Deus

Y:18 - Que significado tem o Novo Testamento para os cristãos?

No -> NOVO TESTAMENTO consuma-se a Revelação de Deus. Os quatro evangelhos – segundo São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João – são o coração da Sagrada Escritura e o mais precioso tesouro da Igreja. Neles mostra-Se o Filho de Deus como Ele é e como vem ao nosso encontro. Nos Actos dos Apóstolos conhecemos os primórdios da Igreja e a acção do Espírito Santo. Nas cartas apostólicas a vida do ser humano é iluminada, em todas as suas dimensões, pela Luz de Cristo. No Apocalipse de São João antevemos o fim dos tempos. [124-130, 140]

Jesus é tudo o que Deus nos queria dizer. Todo o Antigo Testamento prepara a encarnação do Filho de Deus. Todas as promessas de Deus encontram em Jesus o seu cumprimento. Ser cristão significa unir-se cada vez mais profundamente à vida de Cristo. Para isso é preciso ler e viver os evangelhos. Madeleine Delbrêl diz: «Através da Sua Palavra, Deus diz-nos quem Ele é e o que quer; Ele di-lo definitivamente e para cada dia. Quando temos o nosso Evangelho nas mãos, devemos considerar que aí habita a Palavra que Se tornou carne para nós e nos quer atingir para recomeçarmos a Sua vida num novo lugar, num novo tempo, num novo ambiente humano.»
Só quando nos encontramos com o Deus vivo aprendemos o que é a Vida. Não há nada mais belo que ser encontrado pelo Evangelho, por Cristo. Bento XVI, 24.04.2005

Y:19 - Que papel desempenha a Sagrada Escritura na Igreja?

A Igreja busca a sua vida e a sua força na Sagrada Escritura, como quem busca a água num poço. [103-104, 131-133, 141]

Além da presença de Cristo na Sagrada -> EUCARISTIA, a Igreja nada honra com mais veneração que a presença de Deus na Sagrada Escritura. Na Santa Missa, acolhemos o Evangelho de pé, porque é o próprio Deus que nos fala com palavras humanas. -> 128

A Sagrada Escritura não é algo que pertence ao passado. O Senhor não fala no passado, mas no presente; Ele fala connosco hoje, dá-nos a Luz, mostra-nos o caminho da Vida, concede-nos a comunhão, e, assim, prepara-nos e abre-nos para a Paz. Bento XVI, 29.03.2006

quinta-feira, 23 de julho de 2015

MOMENTO YOUCAT: Deus aproxima-Se de nós seres humanos (cont.4)

Meditai a Palavra de Deus...

"Meditai a Palavra de Deus com frequência e permiti ao Espírito Santo ser o vosso mestre. Descobrireis, então, que os pensamentos de Deus não são os nossos; sereis logo conduzidos a contemplar o verdadeiro Deus e ler os acontecimentos da história com os Seus olhos; ireis saborear plenamente a alegria que transborda da Verdade."!



Cânone e Bíblia

CÂNONE (lat. canon = cana de medição, directriz)
Trata-se da compilação vinculativa das Sagradas Escrituras que se encontram na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

BÍBLIA
Por “Bíblia” (gr. biblos = livro) designam os judeus e os cristãos uma coleção de escritos sagrados que surgiram num período de mais de 1000 anos e constituem o documento da sua fé. A Bíblia cristã é substancialmente mais abrangente que a judaica, pois, além dos escritos desta, contém ainda outros livros do Antigo Testamento, quatro Evangelhos, as Cartas de São Paulo e outros escritos da Igreja primitiva.



Os Livros da Bíblia (-> CÂNONE)

ANTIGO TESTAMENTO (lat. testamentum = legado) (46 Livros)
É a primeira parte de toda a Bíblia e a Sagrada Escritura dos judeus. O Antigo Testamento da Igreja Católica abarca 46 livros: Pentateuco, escritos históricos, proféticos e sapienciais (em que se incluem os salmos).

Pentateuco
Génesis (Gn), Êxodo (Ex), Levítico (Lv), Números (Nm), Deuteronómio (Dt)

Livros Históricos
Josué (Js), Juízes (Jz), Rute (Rt), 1 Samuel (1Sm), 2 Samuel (2Sm), 1 Reis (1Rs), 2 Reis (2Rs), 1 Crónicas (1Cr), 2 Crónicas (2Cr), Esdras (Esd), Neemias (Ne), Tobias (Tb), Judite (Jt), Ester (Est), 1 Macabeus (1Mc), 2 Macabeus (2Mc)

Livros sapienciais
Job (Job), Salmos (Sl), Provérbios (Pr), Coélet (Ecl), Cântico dos Cânticos (Ct), Sabedoria (Sb), Ben Sirá (Eclo)

Livros proféticos
Isaías (Is), Jeremias (Jr), Lamentações (Lm), Baruc (Br), Ezequiel (Ez), Daniel (Dn), Oseias (Os), Joel (Jl), Amós (Am), Abdias (Ab), Jonas (Jn), Miqueias (Mq), Naum (Na), Habacuc (Hab), Sofonias (Sf), Ageu (Ag), Zacarias (Zc), Malaquias (Ml)


NOVO TESTAMENTO (27 Livros)
É a segunda parte de toda a Bíblia. Contém os textos especificamente cristãos, nomeadamente os quatro Evangelhos, os Actos dos Apóstolos, treze cartas paulinas, a Carta aos Hebreus, sete cartas católicas e o Apocalipse de São João.


Evangelhos
Mateus (Mt), Marcos (Mc), Lucas (Lc), João (Jo)

Actos dos Apóstolos (Act)

Cartas paulinas
Carta aos Romanos (Rm) 1 Carta aos Coríntios (1Cor), 2 Carta aos Coríntios (2Cor), Carta aos Gálatas (Gl), Carta aos Efésios (Ef), Carta aos Filipenses (Fl), Carta aos Colossenses (Cl), 1 Carta aos Tessalonicenses (1Ts), 2 Carta aos Tessalonicenses (2Ts), 1 Carta a Timóteo (1Tm), 2 Carta a Timóteo (2Tm), Carta a Tito (Tt), Carta a Filémon (Fm) Carta aos Hebreus (Hb)

Cartas católicas
Carta de São Tiago (Tg), 1 Carta de São Pedro (1Pd), 2 Carta de São Pedro (2Pd), 1 Carta de São João (1Jo), 2 Carta de São João (2Jo), 3 Carta de São João (3Jo), Carta de São Judas (Jd)

Apocalipse de São João (Ap)

quarta-feira, 22 de julho de 2015

MOMENTO YOUCAT: Deus aproxima-Se de nós seres humanos (cont 3)


Y:14 - É verdadeira a Sagrada Escritura?

«Os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a Verdade de Deus, porque são inspirados, ou seja, foram escritos por inspiralão do Espírito Santo e têm Deus por autor.» (Concílio Vaticano II, Dei verbum, nº 11) [103-107]


A -> BÍBLIA não caiu do céu feita, nem Deus a ditou a autómatas. Isto é, escritores inconscientes. Antes, «para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-Se de pessoas na posse das suas faculdades e capacidades, para que, agindo neles e por eles, pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria» (Concílio Vaticano II, Dei verbum, nº 11). Para que determinados textos fossem reconhecidos como Escritura Sagrada, tiveram de ser aceites pela Igreja universal. Teve de existir, portanto, um consenso nas comunidades: «Sim, é o próprio Deus que nos fala por este texto, isto é, mesmo pelo Espírito Santo!» Desde o século IV, estes escritos protocristãos estão fixados no -> CÂNONE DAS SAGRADAS ESCRITURAS, tal como foram realmente inspiradas pelo Espírito Santo.

INSPIRAÇÃO (lat. inspiratio = inalação)
Tal a influência de Deus sobre o escritor bíblico, que Ele mesmo é considerado o autor da Sagrada Escritura.

Y:15 - Como pode a Sagrada Escritura ser “Verdade”, se nem tudo o que nela se encontra está correto?
A Bíblia não transmite precisão histórica nem conhecimentos científico-naturais. Também os autores eram filhos do seu tempo. Eles partilhavam as concepções culturais do seu ambiente, em cujos erros, por vezes, estavam presos. Não obstante, tudo o que o ser humano precisa de saber sobre Deus e sobre o caminho da sua redenção encontra-se com infalível segurança na Sagrada Escritura. [106-107, 109]

Y:16 - Como se lê a Bíblia corretamente?

A Sagrada Escritura lê-se corretamente se for lida em atitude orante, ou seja, com a ajuda do Espírito Santo, sob cujo influxo ela surgiu. Ela contém a Palavra Deus, isto é, a decisiva mensagem de Deus para nós. [109-119, 137]


A Bíblia é como uma long carta de Deus dirigida a cada um de nós. Por isso, temos de acolher as Sagradas Escrituras com grande amor e respeito. Primeiro, devemos realmente ler a carta de Deus, isto é, não isolar pormenores sem atender ao todo. Depois, devemos orientar esse todo para o seu coração e mistério, ou seja, para Jesus Cristo, de quem fala toda a Bíblia, mesmo o Antigo Testamento. Portanto, devemos ler as Sagradas Escrituras na mesma fé viva da Igreja em que elas surgiram. -> 491

A Bíblia é a carta do amor de Deus dirigida a nós. Sören Kierkegaar (1813-1855, filósofo)

terça-feira, 21 de julho de 2015

Salmo 20

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi.
2. Senhor, alegra-se o rei com o vosso poder, e muito exulta com o vosso auxílio!
3. Realizastes os anseios de seu coração, não rejeitastes a prece de seus lábios.
4. Com preciosas bênçãos fostes-lhe ao encontro, pusestes-lhe na cabeça coroa de puríssimo ouro.
5. Ele vos pediu a vida, vós lha concedestes, uma vida cujos dias serão eternos.
6. Grande é a sua glória, devida à vossa proteção; vós o cobristes de majestade e esplendor.
7. Sim, fizestes dele o objeto de vossas eternas bênçãos, de alegria o cobristes com a vossa presença,
8. pois o rei confiou no Senhor. Graças ao Altíssimo não será abalado.
9. Que tua mão, ó rei, apanhe teus inimigos, que tua mão atinja os que te odeiam.
10. Tu os tornarás como fornalha ardente, quando apareceres diante deles. Que o Senhor em sua cólera os consuma, e que o fogo os devore.
11. Faze desaparecer da terra a posteridade deles e a sua descendência dentre os filhos dos homens.
12. Se intentarem fazer-te mal, tramando algum plano, não o conseguirão,
13. porque os porás em fuga, dirigindo teu arco contra a face deles.
14. Erguei-vos, Senhor, em vossa potência! Cantaremos e celebraremos o vosso poder.

Texto retirado da Bíblia Ave Maria 186ª edição

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Salmo 19

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi.
2. Que o Senhor te escute no dia da provação, e te proteja o nome do Deus de Jacó.
3. Do seu santuário ele te socorra, e de Sião ele te sustente.
4. Lembre-se de tuas ofertas, e aceite os teus sacrifícios.
5. Conceda-te o que teu coração anela, e realize todos os teus desejos.
6. Possamos nós alegrar-nos com tua vitória e levantar as bandeiras em nome de nosso Deus. Sim, que o Senhor realize todos os teus pedidos.
7. Já sei que o Senhor reservou a vitória para seu ungido, e o ouviu do alto de seu santuário pelo poder de seu braço vencedor.
8. Uns põem sua força nos carros, outros nos cavalos. Nós, porém, a temos em nome do Senhor, nosso Deus.
9. Eles fraquejaram e foram vencidos, mas nós, de pé, continuamos firmes.
10. Senhor, dai a vitória ao rei, e ouvi-nos no dia em que vos invocamos.

Texto retirado da Bíblia Ave Maria 186ª edição

domingo, 19 de julho de 2015

Salmo 18

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi.
2. Narram os céus a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.
3. O dia ao outro transmite essa mensagem, e uma noite à outra a repete.
4. Não é uma língua nem são palavras, cujo sentido não se perceba,
5. porque por toda a terra se espalha o seu ruído, e até os confins do mundo a sua voz; aí armou Deus para o sol uma tenda.
6. E este, qual esposo que sai do seu tálamo, exulta, como um gigante, a percorrer seu caminho.
7. Sai de um extremo do céu, e no outro termina o seu curso; nada se furta ao seu calor.
8. A lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma; a ordem do Senhor é segura, instrui o simples.
9. Os preceitos do Senhor são retos, deleitam o coração; o mandamento do Senhor é luminoso, esclarece os olhos.
10. O temor do Senhor é puro, subsiste eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros, todos igualmente justos.
11. Mais desejáveis que o ouro, que uma barra de ouro fino; mais doces que o mel, que o puro mel dos favos.
12. Ainda que vosso servo neles atente, guardando-os com todo o cuidado;
13. quem pode, entretanto, ver as próprias faltas? Purificai-me das que me são ocultas.
14. Preservai, também, vosso servo do orgulho; não domine ele sobre mim, então serei íntegro e limpo de falta grave.
15. Aceitai as palavras de meus lábios e os pensamentos de meu coração, na vossa presença, Senhor, minha rocha e meu redentor.

Texto retirado da Bíblia Ave Maria 186ª edição

sábado, 18 de julho de 2015

Salmo 17

1. Ao mestre de canto. De Davi, servo do Senhor, que dirigiu as palavras deste cântico ao Senhor, no dia em que ficou livre de todos os seus inimigos e das mãos de Saul.
2. Disse: Eu vos amo, Senhor, minha força!
3. O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza e meu libertador. Meu Deus é a minha rocha, onde encontro o meu refúgio, meu escudo, força de minha salvação e minha cidadela.
4. Invoco o Senhor, digno de todo louvor, e fico livre dos meus inimigos.
5. Circundavam-me os vagalhões da morte, torrentes devastadoras me atemorizavam,
6. enlaçavam-se as cadeias da habitação dos mortos, a própria morte me prendia em suas redes.
7. Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei para meu Deus: do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor em sua presença chegou aos seus ouvidos.
8. A terra vacilou e tremeu, os fundamentos das montanhas fremiram, abalaram-se, porque Deus se abrasou em cólera:
9. suas narinas exalavam fumaça; sua boca, fogo devorador, brasas incandescentes.
10. Ele inclinou os céus e desceu, calcando aos pés escuras nuvens.
11. Cavalgou sobre um querubim e voou, planando nas asas do vento.
12. Envolveu-se nas trevas como se fossem véu, fez para si uma tenda das águas tenebrosas, densas nuvens.
13. Do esplendor de sua presença suas nuvens avançaram: saraiva e centelhas de fogo.
14. Dos céus trovejou o Senhor, o Altíssimo fez ressoar a sua voz.
15. Lançou setas e dispersou os inimigos, fulminou relâmpagos e os desbaratou.
16. E apareceu descoberto o leito do mar, ficaram à vista os fundamentos da terra, ante a vossa ameaçadora voz, ó Senhor, ante o furacão de vossa cólera.
17. Do alto estendeu a sua mão e me pegou, e retirou-me das águas profundas,
18. livrou-me de inimigo poderoso, dos meus adversários mais fortes do que eu.
19. Investiram contra mim no dia do meu infortúnio, mas o Senhor foi o meu arrimo;
20. pôs-me a salvo e livrou-me, porque me ama.
21. O Senhor me tratou segundo a minha inocência, retribuiu-me segundo a pureza de minhas mãos,
22. porque guardei os caminhos do Senhor e não pequei separando-me do meu Deus.
23. Tenho diante dos olhos todos os seus preceitos e não me desvio de suas leis.
24. Ando irrepreensivelmente diante dele, guardando-me do meu pecado.
25. O Senhor retribuiu-me segundo a minha justiça, segundo a pureza de minhas mãos diante dos seus olhos.
26. Com quem é bondoso vos mostrais bondoso, com o homem íntegro vos mostrais íntegro;
27. puro com quem é puro; prudente com quem é astuto.
28. Os humildes salvais, os semblantes soberbos humilhais.
29. Senhor, sois vós que fazeis brilhar o meu farol, sois vós que dissipais as minhas trevas.
30. Convosco afrontarei batalhões, com meu Deus escalarei muralhas.
31. Os caminhos de Deus são perfeitos, a palavra do Senhor é pura. Ele é o escudo de todos os que nele se refugiam.
32. Pois quem é Deus senão o Senhor? Quem é o rochedo, senão o nosso Deus?
33. É Deus quem me cinge de coragem e aplana o meu caminho.
34. Torna os meus pés velozes como os das gazelas e me instala nas alturas.
35. Adestra minhas mãos para o combate e meus braços para o tiro de arco.
36. Vós me dais o escudo que me salva. Vossa destra me sustém, e vossa bondade me engrandece.
37. Alargais o caminho a meus passos, para meus pés não resvalarem.
38. Dou caça aos inimigos e os alcanço, e não volto sem que os tenha aniquilado.
39. De tal sorte os despedaço, que não mais poderão levantar-se: eles ficam caídos a meus pés.
40. Vós me cingis de coragem para a luta e ante mim dobrais os meus adversários.
41. Afugentais da minha presença os meus inimigos e reduzis ao silêncio os que me aborrecem.
42. Gritam por socorro, mas não há quem os salve; clamam ao Senhor, mas não responde...
43. Eu os disperso como o pó que o vento leva, e os esmago como o barro das estradas.
44. Vós me livrais das revoltas do povo e me colocais à frente das nações; povos que eu desconhecia se tornaram meus servos.
45. Gente estranha me serve abnegadamente e me obedece à primeira intimação.
46. Gente estranha desfalece e sai tremendo de seus esconderijos.
47. Viva o Senhor e bendito seja o meu rochedo! Exaltado seja Deus, que me salva!
48. Deus, que me proporciona a vingança e avassala nações a meus pés.
49. Sois vós que me libertais dos meus inimigos, me exaltais acima dos meus adversários e me salvais do homem violento.
50. Por isso vos louvarei, ó Senhor, entre as nações e celebrarei o vosso nome.
51. Ele prepara grandes vitórias a seu rei e faz misericórdia a seu ungido, a Davi e a sua descendência para sempre.

Texto retirado da Bíblia Ave Maria 186ª edição

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Salmo 16

1. Súplica de Davi. Ouvi, Senhor, uma causa justa! Atendei meu clamor! Escutai minha prece, de lábios sem malícia.
2. Venha de vós o meu julgamento, e vossos olhos reconheçam que sou íntegro.
3. Podeis sondar meu coração, visitá-lo à noite, prová-lo pelo fogo, não encontrareis iniquidade em mim.
4. Minha boca não pecou, como costumam os homens; conforme as palavras dos vossos lábios, segui os caminhos da lei.
5. Meus passos se mantiveram firmes nas vossas sendas, meus pés não titubearam.
6. Eu vos invoco, pois me atendereis, Senhor; inclinai vossos ouvidos para mim, escutai minha voz.
7. Mostrai a vossa admirável misericórdia, vós que salvais dos adversários os que se acolhem à vossa direita.
8. Guardai-me como a pupila dos olhos, escondei-me à sombra de vossas asas,
9. longe dos pecadores, que me querem fazer violência. Meus inimigos me rodeiam com furor.
10. Seu coração endurecido se fecha à piedade; só têm na boca palavras arrogantes.
11. Eis que agora me cercam, espreitam para me prostrar por terra;
12. qual leão que se atira ávido sobre a presa, e como o leãozinho no seu covil.
13. Levantai-vos, Senhor, correi-lhe ao encontro, derrubai-o; com vossa espada livrai-me do pecador,
14. com vossa mão livrai-me dos homens, desses cuja única felicidade está nesta vida, que têm o ventre repleto de bens, cujos filhos vivem na abundância e deixam ainda aos seus filhos o que lhes sobra.
15. Mas eu, confiado na vossa justiça, contemplarei a vossa face; ao despertar, saciar-me-ei com a visão de vosso ser.

Texto retirado da Bíblia Ave Maria 186ª edição

quinta-feira, 16 de julho de 2015

MOMENTO YOUCAT: Deus aproxima-Se de nós seres humanos (cont 2)


Y:11 - Porque transmitimos a fé?

Transmitimos a fé porque Jesus ordenou-nos: «Ide, fazei discípulos de todas as nações!» (Mt 28,19) [91]


Nenhum cristão autêntico deixa a transmissão da fé apenas ao cuidado dos especialistas (catequistas, párocos, missionários). Somos cristãos para os outros. Isto significa que cada cristão autêntico deseja que Deus chegue também aos outros. Ele diz para si. «O Senhor precisa de mim! Sou baptizado, confirmado e responsável para que as pessoas à minha volta façam a experiência de Deus e cheguem ao conhecimento da Verdade.» (1Tm 2,4) Madre Teresa utilizou uma boa metáfora: «É frequente observares fios eléctricos ao longo da estrada. Se a corrente não passa por eles, não há luz. O fio é o que somos tu e eu. A corrente eléctrica é Deus. Temos o poder de a deixar passar atravé de nós e, assim, fornecer ao mundo a luz, que é Jesus, ou de recusarmos que Ele Se sirva de nós, permitindo, com isso, que a escuridão se alastre.» -> 123

MISSÃO (lat. missio = envio)A missão é a essência da Igreja e o mandamento de jesus a todos os cristãos de anunciar o Evangelho com palavras e actos, de forma a que todas as pessoas optem livremente por Cristo.

Y: 12 - Como sabemos o que pertence à verdadeira fé?

Encontramos a verdadeira fé na Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja. [76, 80-82, 85-87, 97, 100]


O -> NOVO TESTAMENTO surgiu da fé da Igreja. Escritura e Tradição pertencem-se mutuamente. A transmissão da fé não ocorre primordialmente através de textos. Santo Hilário de Poitiers, bispo da Igreja antiga, dizia: «A Sagrada Escritura está escrita no coração da Igreja, mais que em pergaminho». Já os discípulos e os -> APÓSTOLOS tiveram a experiência da Vida Nova antes de mais através da comunhão viva com Jesus. A jovem Igreja convidou outras pessoas a esta comunhão, que continuou de outra maneira após a ressurreição. Os primeiros cristãos eram «assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações» (Act 2,42). Eles eram unidos entre si, mas tinham espaço para os outros. É isto que constitui a fé até hoje: os cristãos convidam outras pessoas para descobrirem a comunhão com Deus, a qual, desde o tempo dos Apóstolos, se manteve genuína na Igreja Católica.

"Portanto, a sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. Concílio Vaticano II, Dei Verbum, nº 9

Y:13 - Pode a Igreja enganar-se em questões de fé?


A totalidade dos crentes não pode errar na fé, porque Jesus prometeu aos Seus discípulos mandar-lhes o Espírito da Verdade e conservá-los na Verdade. (Jo 14,17] [65-66, 73]

Tal como os discípulos acreditavam em Jesus de todo o coração, também um cristão pode confiar totalmente na Igreja se procurar o caminho da Vida. Efectivamente, se o próprio Jesus fez dos Seus Apóstolos participantes na missão de ensinar, a igreja tem uma funão educativa (-> MAGISTÉRIO) e não se pode calar. É certo que alguns membros da Igreja se podem enganar e até cometer erros graves, mas a Igreja, como um todo, nunca se poderá desviar da Verdade de Deus. A Igreja transporta, através do tempo, uma Verdade viva, que é maior que ela mesma. Fala-se de depositum fidei, o tesouro da fé, que deve ser preservado. Caso alguma verdade seja publicamente questionada ou deturpada, a Igreja é desafiada a trazer novamente à luz «aquilo em que se creu por toda a parte em todos os tempos e por todos os crentes» (S. Vicente de Lérins, …450)

MAGISTÉRIOÉ a designação da tarefa da Igreja Católica de explicar a fé, interpretá-la com a assistência do Espírito Santo e protegê-la de adulterações.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

MOMENTO YOUCAT: Deus aproxima-Se de nós seres humanos (cont.)


(Y:9) O que nos mostra Deus quando nos envia o Seu Filho?

Em Jesus Cristo, Deus mostra-nos toda a profundidade do Seu misericordioso amor. [65-66, 73]


Através de Jesus Cristo, torna-se visível o Deus invisível. Ele torna-Se como nós. Isto mostra-nos até que ponto vai o amor de Deus: Ele carrega todo o nosso peso. Ele percorre connosco todos os caminhos.
Ele vive a nossa solidão, o nosso sofrimento, o nosso medo da morte. Ele apresenta-Se onde não podemos avançar, para nos abrir a porta para a Vida. -> 314


ENCARNAÇÃO (do lat. caro, carnis = carne)
Trata-se da encarnação de Deus em Jesus Cristo. É o fundamento da fé cristã e da esperança na redenção do ser humano.

(Y:10) Ficou tudo dito com Jesus Cristo ou prosseguirá a revelação depois d'Ele?

Em Jesus Cristo foi o próprio Deus que veio ao mundo. Ele é a última palavra de Deus. Ouvindo-O, toda a pessoa, humana, em todos os tempos, pode saber quem é Deus e o que é necessário para a sua salvação. [66-67]


No Evangelho de Jesus Cristo está perfeita e completamente disponível a -> REVELAÇÃO de Deus. Para que ela nos seja clara, o Espírito Santo introduz-nos na Verdade cada vez mais profundamente. A Luz de Deus penetra na vida de algumas pessoas de um modo tão forte, que elas vêem o «céu aberto» (Act 7,56). Foi assim que surgiram os grandes lugares de peregrinação, como Guadalupe, no México, Lourdes, em França, ou Fátima, em Portugal. As «revelações privadas» dos videntes não podem aperfeiçoar o Evangelho de Jesus Cristo; embora não sejam universalmente vinculativas, podem ajudar-nos a entendê-lo melhor, desde que a sua verdade seja examinada pela Igreja.

Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Seu Filho. Ha 1,1ss

terça-feira, 14 de julho de 2015

MOMENTO YOUCAT: Deus aproxima-Se de nós seres humanos


(Y:7) Porque teve Deus de Se revelar, para sabermos como Ele é?

O ser humano pode descobrir pela razão que Deus existe, mas não como Deus é realmente. Portanto, como Deus gosta de ser conhecido, revelou-Se. [50-53, 68-69]


Deus teve de Se revelar a nós. Ele fê-lo por amor.
Tal como, no amor humano, só se pode conhecer algo de uma pessoa amada quando ela nos abre o seu coração, também só conhecemos os mais íntimos pensamentos de Deus porque Ele, eterno e misterioso, Se abriu a nós por amor. Desde a Criação, passando pelos patriarcas e pelos profetas, até à definitiva -> REVELAÇÃO no Seu Filho Jesus Cristo, Deus comunicou continuamente com a humanidade. Em Jesus, Ele verteu-nos o coração e tornou-nos claro o Seu Ser mais íntimo.

"Aprouve a Deus, na Sua bondade e sabedoria, revelar-Se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da Sua vontade, segundo a qual a humanidade, por meio de Cristo, Verbo encarnado, tem acesso ao Pai no Espírito Santo e se torna participante da natureza divina." Concílio Vaticano II, Dei Verbum nº 2

(Y:8) Como Se revela Deus no Antigo Testamento?

Deus mostra-Se no -> ANTIGO TESTAMENTO, como Aquele que criou o mundo por amor e permance fiel ao ser humano, mesmo que este, pelo pecado, O renegue. [54-64, 70-72]


Deus deixa-Se experimentar na história. Com Noé faz uma Aliança para salvar todos os seres vivos. Chama Abraão para fazer dele o «pai de um grande número de nações» (Gn 17,5) e nele abençoar «todas as nações da Terra» (Gn 12,3). O povo de Israel, descendente de Abraão, torna-se Sua especial propriedade. A Moisés apresenta-se nominalmente: o Seu nome misterioso יהוה, muitas vezes pronunciado como -> "YAHWEH" significa «Eu sou Aquele que sou» (Ex 3,14). Ele liberta Israel da escravidão no Egipto, faz uma Aliança no Sinai e, através de Moisés, entrega-lhe a Lei. Repetidas vezes, Deus envia profetas ao Seu povo. para o chamar à conversão e à renovação da Aliança. Os profetas anunciam que Deus fará uma nova e eterna Aliança, que realizará a uma radical renovação e uma definitiva redenção. Esta Aliança estará aberta a toda a humanidade.

"Aprouve a Deus, na Sua bondade e sabedoria, revelar-Se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o qual a humanidade, por meio de Cristo, Verbo encarnado, tem acesso ao pai no Espírito Santo e se torna participante da natureza divina." Concílio Vaticano II, Dei Verbum, nº 2

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Salmo 15

1. Poema de Davi. Guardai-me, ó Deus, porque é em vós que procuro refúgio.
2. Digo a Deus: Sois o meu Senhor, fora de vós não há felicidade para mim.
3. Quão admirável tornou Deus o meu afeto para com os santos que estão em sua terra.
4. Numerosos são os sofrimentos que suportam aqueles que se entregam a estranhos deuses. Não hei de oferecer suas libações de sangue e meus lábios jamais pronunciarão o nome de seus ídolos.
5. Senhor, vós sois a minha parte de herança e meu cálice; vós tendes nas mãos o meu destino.
6. O cordel mediu para mim um lote aprazível, muito me agrada a minha herança.
7. Bendigo o Senhor porque me deu conselho, porque mesmo de noite o coração me exorta.
8. Ponho sempre o Senhor diante dos olhos, pois ele está à minha direita; não vacilarei.
9. Por isso meu coração se alegra e minha alma exulta, até meu corpo descansará seguro,
10. porque vós não abandonareis minha alma na habitação dos mortos, nem permitireis que vosso Santo conheça a corrupção.
11. Vós me ensinareis o caminho da vida, há abundância de alegria junto de vós, e delícias eternas à vossa direita.

domingo, 12 de julho de 2015

Por que os profetas do Antigo Testamento não são canonizados?



Os profetas, os grandes homens e mulheres do Antigo Testamento usufruem da mesma dignidade e veneração dos santos homens que a Igreja já reconheceu. Também eles morreram em odor de santidade. A ausência do título é um fato explicado pela caminhada da Igreja, como ensina o Padre Paulo Ricardo.

Fonte: https://padrepauloricardo.org

sábado, 11 de julho de 2015

Salmo 14

1. Salmo de Davi. Senhor, quem há de morar em vosso tabernáculo? Quem habitará em vossa montanha santa?
2. O que vive na inocência e pratica a justiça, o que pensa o que é reto no seu coração,
3. cuja língua não calunia; o que não faz mal a seu próximo, e não ultraja seu semelhante.
4. O que tem por desprezível o malvado, mas sabe honrar os que temem a Deus; o que não retrata juramento mesmo com dano seu,
5. não empresta dinheiro com usura, nem recebe presente para condenar o inocente. Aquele que assim proceder jamais será abalado.

Texto retirado da Bíblia Ave Maria 186ª edição

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O santo sacerdócio de João Maria Vianney

Há exatos 155 anos (156 anos, em 04/08 deste ano), na comuna de Ars, leste da França, morria um santo sacerdote, chamado São João Maria Vianney.

Quem é este homem, a quem acorriam multidões de peregrinos buscando a absolvição dos pecados e os seus conselhos espirituais? Quem é este “pároco de aldeia” que transformou um lugar no qual “se adoravam as bestas” em uma cidade cheia de piedade e devoção eucarística? Quem é este padre, que o demônio chamava de “comedor de batatas” e que se macerava com inúmeras mortificações pela salvação das almas?

Conheça a história do Santo Cura de Ars. Você é nosso convidado especial!



Texto retirado e adptado do site https://padrepauloricardo.org

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Salmo 13

1. Ao mestre de canto. De Davi. Diz o insensato em seu coração: Não há Deus. Corromperam-se os homens, sua conduta é abominável, não há um só que faça o bem.
2. O Senhor, do alto do céu, observa os filhos dos homens, para ver se, acaso, existe alguém sensato que busque a Deus.
3. Mas todos eles se extraviaram e se perverteram; não há mais ninguém que faça o bem, nem um, nem mesmo um só.
4. Não se emendarão esses obreiros do mal, que devoram meu povo como quem come pão? Eles que não invocam o Senhor?
5. Mas irão tremer de pavor, porque Deus está com a raça dos justos;
6. pretendeis frustrar os planos do humilde, mas o Senhor é seu refúgio.
7. Ah, que venha de Sião a salvação de Israel! Quando o Senhor tiver mudado a sorte de seu povo, Jacó exultará e Israel se alegrará.

Texto retirado da Bíblia Ave Maria 186ª edição

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O que devemos fazer para alcançar a santidade?



O que fazer para alcançar a santidade? A resposta pode parecer bastante óbvia e simples, mas o que devemos fazer é amar com caridade sobrenatural.

Em primeiro lugar, o que é santidade? É a configuração do nosso coração ao coração de Cristo. Uma pessoa está no caminho de santidade quanto mais o seu coração se vai conformando com o de Cristo, a ponto de ela chegar ao estado de perfeição em que chegou São Paulo, quando disse: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim"[1].

A pessoa santa tem um coração que palpita em sintonia com o coração de Cristo e este, por sua vez, é ardente de amor-caridade. Neste ponto, ajuda-nos São Tomás de Aquino, explicando que existe uma diferença entre o amor natural e o sobrenatural. O amor natural é aquele da própria natureza humana: amam-se os filhos, os pais, o seu cônjuge etc. Esse amor pode ser abusado, transformando-se em idolatria. Entra, então, a necessidade do amor sobrenatural. A diferença deste para aquele está no objeto formal. A quem se pode amar, com amor sobrenatural? A Deus, a mim mesmo e ao próximo[2]: esses são os objetos materiais do amor. Mas, não basta amar a Deus com amor natural: para amá-Lo sobrenaturalmente, é preciso amá-Lo por causa d'Ele mesmo, ou seja, sem querer nada em recompensa, sem ficar pensando em seu próprio bem, mas "numa total determinação e desejo de contentar a Deus em tudo, (...) procurar, o quanto pudermos, não ofendê-lo"[3], como diz Santa Teresa de Ávila. Da mesma forma, como quando se ama a si mesmo e ao próximo: deve-se fazê-lo por um único objeto formal, que é Deus.

Nisso consiste o amor. E é crescer nesse amor o que nos fazer crescer na santidade. Algumas pessoas pensam que a santidade significa fazer coisas heroicas, mas o Aquinate, em um de seus escritos[4], esclarece que, na realidade, não é o árduo em uma obra o que nos torna santos, mas a caridade. Se fazemos uma pequena obra – a oração de uma Ave-Maria, por exemplo –, mas a fazemos com caridade ardente por Deus, estamos empreendendo algo muito mais valioso do que se lançássemos o nosso corpo às chamas ou déssemos todos os nossos bens aos pobres, mas os fizéssemos sem caridade[5].

De nada adianta, no caminho da santidade, transformar-se em um faquir, fazer grandes sacrifícios, mas se esquecer da caridade. É a caridade que dá forma a todas as virtudes, diz São Tomás[6]. Se a caridade estiver ausente, de alguma forma essas virtudes serão deformadas.

Para ser mais santo, portanto, só existe um caminho: amar a Deus de forma ardente, sincera. Santa Teresa de Ávila, em seu Castelo Interior, recorda que é isso o que se deve fazer para entrar nas moradas interiores:

"Para aproveitar neste caminho e subir às moradas desejadas, o essencial não é pensar muito – é amar muito. Escolhei de preferência o que mais vos conduzir ao amor."

"Talvez nem saibamos o que é amar, o que não me espanta. Não consiste o amor em ser favorecido de consolações. Consiste, sim, numa total determinação e desejo de contentar a Deus em tudo, em procurar, o quanto pudermos, não ofendê-lo e rogar-lhe pelo aumento contínuo da honra e glória de seu Filho e pela prosperidade da Igreja Católica."[7]

Eis acima, em poucas palavras, o que devemos fazer para ser mais santos.

Referências bibliográficas

Gl 2, 20
Cf. Suma Teológica, II-II, q. 25, a. 12
Santa Teresa de Jesus, Castelo Interior ou Moradas, Quartas Moradas, capítulo 1, n. 7. In São Paulo: Paulus, 2014. p. 75
Trata-se da obra "Comentários Sobre as Sentenças de Pedro Lombardo".
Cf. 1 Cor 13, 3
Cf. Suma Teológica, II-II, q. 23, a. 8
Santa Teresa de Jesus, Castelo Interior ou Moradas, Quartas Moradas, capítulo 1, n. 7. In São Paulo: Paulus, 2014. p. 75

Retirado do site: https://padrepauloricardo.org

terça-feira, 7 de julho de 2015

Salmo 12

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi.
2. Até quando, Senhor, de todo vos esquecereis de mim? Por quanto tempo ainda desviareis de mim os vossos olhares?
3. Até quando aninharei a angústia na minha alma, e, dia após dia, a tristeza no coração?
4. Até quando se levantará o meu inimigo contra mim? Olhai! Ouvi-me, Senhor, ó meu Deus!
5. Iluminai meus olhos com vossa luz, para eu não adormecer na morte, para que meu inimigo não venha a dizer: Venci-o;
6. e meus adversários não triunfem no momento de minha queda, eu que confiei em vossa misericórdia. Antes possa meu coração regozijar-se em vosso socorro! Então cantarei ao Senhor pelos benefícios que me concedeu.

Texto retirado da Bíblia Ave Maria 186ª edição

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O que é heresia?




A palavra heresia pode causar algumas confusões, de modo que acabe por ser usada de maneira inadequada. É preciso distinguir bem o que se quer dizer por heresia, pois nem toda bobagem dita incorre em pecado contra a fé, como pensam algumas pessoas. Haerĕsis - do latim - ou αἵρεσις - do grego - significa “escolha”. O pecado da heresia, portanto, consiste em uma espécie de opção por uma verdade em detrimento de outra. Explicamos: digamos que um católico se encontre diante de dois ensinamentos do Magistério da Igreja aparentemente contraditórios e, para solucionar a controvérsia, rejeite um deles e fique com o outro. Neste caso, ele estará negando a fé, uma vez que um autêntico católico deve necessariamente aceitar todos os artigos do credo cristão. Temos então uma prévia do que se trata o pecado da heresia; mas, sigamos adiante com nossa resposta.

No Código do Direito Canônico encontramos uma definição mais clara sobre o assunto: “Diz-se heresia a negação pertinaz, depois de recebido o baptismo, de alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica" (Cf. Cân. 751). O herege, como pode-se ver, é somente o sujeito que, após o batismo, insiste obstinadamente em seu erro, mesmo depois de advertido por alguma autoridade eclesiástica. Um animista, um budista ou muçulmano, por exemplo, não pode ser chamado herege, pois não professa a fé cristã nem é batizado na Igreja Católica. O herege, por definição, é o cristão que rejeita a autêntica fé católica, isto é, aquela revelada por Deus e que foi atestada pelo Magistério em alguma declaração solene ou no ensinamento perene e tradicional dos santos padres. A negação de que os anjos sejam “puro espírito” - como diz o Catecismo da Igreja Católica -, defendendo a existência de um “corpo sutil” para esses seres, não incorre no pecado de heresia, uma vez que a doutrina de que os anjos sejam “puro espírito” se trata apenas de um ensinamento comum, não de uma verdade de fé católica. Quem nega essa afirmação não é ipso factoum herege.

Ademais, o pecado da heresia só pode ser consumado quando há uma obstinação do indivíduo pelo erro.Trata-se de uma obsessão pela própria ideia acerca da doutrina católica, mesmo diante de uma reprimenda do Magistério quanto ao erro em questão. Alguém que defenda uma heresia sem saber que está em erro não pode ser considerado um herege. Um exemplo: quando estava na sexta série, padre Paulo Ricardo ouviu de seu professor de religião que Deus não podia ter pai nem mãe, pois Ele era eterno. A afirmação de seu mestre levantou a dúvida de um de seus colegas de classe: “Paulo, e quanto a Jesus? Ele não tem pai e mãe?” - disse o menino. “Veja - comentou o padre na época -, Jesus não é Deus, Ele é filho de Deus”. Ora, é óbvio que não podemos condená-lo por heresia, pois padre Paulo Ricardo não havia estudado toda a doutrina católica naquela época; por isso, não poderia saber que falava uma tolice. Tratava-se tão somente de sua ignorância. Mas, uma vez que compreendeu que Jesus era, sim, Deus, mudou imediatamente de opinião. Os excomungados pelo pecado de heresia, por sua vez, são aqueles que não creem de forma alguma no ensinamento da Igreja.

Por outro lado, pode ser que a pessoa que nega a fé católica padeça de uma ignorância culposa, ainda que não seja um herege. É outro tipo de pecado. Um padre que nega a natureza divina de Cristo pode não ser um herege, mas é culpado, obviamente, por sua ignorância. Essa ignorância, por sua vez, ou corresponde a uma ignorância crassa, supina - isto é, quando o indivíduo tem o dever de conhecer sobre aquele assunto, mas não o domina -, ou consiste em uma ignorância afetada - oriunda de uma escolha consciente por não querer saber. Todavia, essas pessoas não podem ser consideradas hereges.

Por último, é preciso não confundir heresia com apostasia. São coisas distintas. Heresia é a negação de apenas uma verdade de fé, ao passo que a apostasia representa o total abandono da fé.

O Magistério da Igreja esclarece que aqueles que caíram no pecado da heresia podem ser absolvidos por meio da confissão. Aqueles que acreditam estar em pecado de heresia, destarte, procurem o sacerdote mais próximo, confessem seus pecados e voltem à comunhão com a Santa Igreja Católica.

Fonte: https://padrepauloricardo.org

domingo, 5 de julho de 2015

Como entender que a Igreja não erra? - Parte 2




Continuando a explicação sobre a indefectibilidade da Igreja, no episódio de hoje será analisado o papel do Magistério na salvaguarda dessa característica eclesial. O Catecismo da Igreja Católica, em seu número 890 e 891, diz que:


890. A missão do Magistério está ligada ao caráter definitivo da Aliança instaurada por Deus em Cristo com o seu povo. Deve protegê-lo dos desvios e falhas, e garantir-lhe a possibilidade objetiva de professar, sem erro, a fé autêntica. O múnus pastoral do Magistério está, assim, ordenado a velar por que o povo de Deus permaneça na verdade que liberta. Para cumprir este serviço. Cristo dotou os pastores do carisma da infalibilidade em matéria de fé e de costumes. O exercício de tal carisma pode revestir-se de diversas modalidades:

891. «Desta infalibilidade goza o pontífice romano, chefe do colégio episcopal, por força do seu ofício, quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis, e encarregado de confirmar na fé os seus irmãos, proclama, por um ato definitivo, um ponto de doutrina respeitante à fé ou aos costumes [...]. A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo dos bispos, quando exerce o seu Magistério supremo em união com o sucessor de Pedro», sobretudo num concílio ecumênico (425) Quando, pelo seu Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa «para crer como sendo revelada por Deus» (426) como doutrina de Cristo, «deve-se aderir na obediência da fé a tais definições» (427). Esta infalibilidade abarca tudo quanto abarca o depósito da Revelação divina.

O Magistério, portanto, garante que o Povo de Deus continue em aliança com Deus em Cristo, embora membros possam livremente sair dessa aliança, o Magistério garante que o Povo não perca o élan, a radicalidade do Evangelho, garantindo a possibilidade objetiva de professar sem erro e de forma autêntica a Fé verdadeira.

Quando o pronunciamento é feito de forma oficial não resta dúvida de que se trata de um Magistério infalível. Contudo, no dia a dia fica mais difícil perceber essa infalibilidade. O primeiro critério é observar se o pronunciamento ou o documento contém o que a Igreja prega semper, ubique et ab omnibus, ou seja, se está de acordo com a Tradição.

Qualquer documento da Igreja só tem valor se estiver em sintonia com a Igreja de sempre, com a fé de dois mil anos. Assim, o Magistério infalível nunca erra; aquele que está unido continuamente à fé dos apóstolos nunca erra, contudo, podem ocorrer escorregões ou palavras mal empregadas, que precisam de adequação, revisão ou esclarecimento. Pior, existem membros do Magistério que podem pecar, caindo na heresia, na apostasia ou no cisma. A História da Igreja está recheada desses exemplos e essa é grande dificuldade na aceitação da infalibilidade do Magistério.

Todos os homens, inclusive os membros do clero são pecadores e é preciso um esforço conjunto para que cada um mantenha-se em comunhão com a fé de sempre, com os santos, com a Tradição.

Todos os fiéis estão obrigados a obedecer aos Sagrados Pastores, conforme diz o Código de Direito Canônico:


Cân. 212 § 1. Os fiéis, conscientes da própria responsabilidade, estão obrigados a aceitar com obediência cristã o que os sagrados Pastores, como representantes de Cristo, declaram como mestres da fé ou determinam como guias da Igreja.

Contudo, sabendo que nem sempre os prelados são infalíveis em suas decisões, o próprio cânon diz que:
§ 2. Os fiéis têm o direito de manifestar aos Pastores da Igreja as próprias necessidades, principalmente espirituais, e os próprios anseios.

§ 3. De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, tem o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos Pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os Pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, dêem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis.

Assim, cada um na sua função, todos são responsáveis em colaborar para que a Igreja continue sendo a Esposa Santa de Cristo na Terra, indefectível na fé.

Fonte: https://padrepauloricardo.org