
Ao olhar a fundo os olhos de cada jovem, percebo, a partir do espelho de suas almas, o que realmente eles são. Essa prática não deve ser uma tentativa de desvendar os “mistérios” escondidos dentro do silêncio de tal “eu”, mas de acolher e enxergar aqueles segredos que querem ser mostrados, porém não encontram um olhar que pudesse impulsionar o tão esperado desabafo. São vistas caridosas que só podem tê-las quando agraciadas por Aquele que nos observa e faz morada onde deixam-No morar; E o espelho que reflete essa alma pode tornar-se reflexo e exemplo divino de um humano que tem Deus.
Esse olhar é capaz de observar em um bocejo de cansaço não apenas a expressão de um desejo de descanso, mas um clamor por um ombro que sirva de reclino para a consciência. Ele vê que cada caminhar não manifesta apenas um estilo, mas, muitas vezes, a confusão de uma vida, o desespero de quem quer correr, mas acabou prendendo-se na inércia de seus problemas, a autossuficiência de alguém tão pequeno quanto se sente e tão grande quanto o vazio que possui. Necessitam, portanto, desse olhar que sorri para um sorriso que, extrovertido, esconde uma tristeza camuflada por um falso ego, transposto na alegria de quem não quer expor a solidão escondida na necessidade, diante de tantas presenças, de um sorriso que leve a sério sua vida, assistindo e insistindo uma felicidade verdadeira.
O jovem proclama com a língua verdades que, com a vida, aprenderam serem as reais. Mas o que realmente existe, aparece inexistente, ou escondido; Surge em palavras que só ouve quem enxerga e só vê quem sabe escutar, abraçar, amar... Logo se percebe que o canto que eles entoam está perdendo a sua eloquência, pois, sem sentido, canta-se em gritos o anuncio de uma guerra entre a sua pátria interior e o seu mundo externo. Quem sairá vencedor? Quem primeiro erguer sua bandeira e aclamar: “Independência ou morte”! E escolhendo a morte, não será mais você que viverá, mas o próprio Cristo que irá viver em ti. Pois, se morrer no mundo é morrer para si mesmo, então morrer para o mundo é viver para Deus. Por isso, reflita: não morremos quando o coração para de bater, mas quando deixa de amar. E amar a Deus sobre tudo é viver o eterno ainda em vida. Já que a morte é um evento necessário, amar é pôr sentido em Deus e naquilo que nos faz sermos nós verdadeiramente. E a independência que existir contraria o mundo, pois morreu-se para ele e hoje vive-se e, revivendo, és ressuscitado. Escolha, portanto, a independência e a morte, mas em Deus.
Estando, pois, ressuscitado, hoje você é a esperança de algo que se vive. Vivendo a vida que possui e relendo na tua alma todos os passos que marcaram tão íntima trajetória, poderá perceber que todo sofrimento assumido na tua vida tornou-se redenção de um Cristo que reviveu da morte e renasceu para tí, em tí é contigo. A própria esperança fez como missão guardar esse caminho no céu, ensinando na terra seu percurso.
Tú és precioso, caro irmão. Tal como a vida, que para demonstrarmos seu estimado valor, definimo-la em uma palavra; Algo raro, como pedra preciosa e belo como a mesma. Ela manifesta sua grandeza não por ser difícil de encontrar, mas por ser, na sua essência, algo valoroso. És um solo consagrado e somente pés santos pode calcá-lo. És Sacrário vivo, e apenas o corpo santo pode estar em Tí. És, por fim, imagem e semelhança de um Deus que o criou pensando em si mesmo, e somente Ele deve ser teu espelho e exemplo de quem você é. Erga, portanto, sua bandeira e anuncie sua independência antes que um aventureiro qualquer tome posse de tua terra, pois em tí já pisou quem hoje habita e deves sem eternamente essa morada; Se estrangeiros vierem pisar em teu solo, proclame que a terra já está ocupada e que para pisa-la precisará primeiro tirar as sandálias dos pés.
Autor: Leonan Rodrigues Pessoa
(Ir. Gabriel da Anunciação- ISDM) NOME DE RELIGIOSO
Deus é capaz de olhar no espelho de nossas almas e nos enxergar interiormente sem as mentiras que somos capazes de dizer a nós mesmos. Ele é capaz de ver nossas mágoas, recentimentos, preocupações, dúvidas, tristesas, assim como nossas alegrias e vários outros pensamentos e sentimentos que temos. Pois não podemos nos encosder Dele (e por que nos esconderíamos Dele?)
ResponderExcluirEle nos ama e quem ama cuida. É por isso que somos preciosos a Seus olhos. Deus quer habitar em nós, e quando permitimos que Ele faça isso, não autorizamos que o estrangeiro (eu interpreto como sendo o encardido) venha pisar em nosso solo, pois Deus ali já mora e não haverá espaço, nesse solo sagrado, para duas entidades (tão opostas).
Obrigado Leonan por atender meu pedido de escrever neste blog.
O meu amor por Deus é maior que qualquer problema. E Nele que devo depositar minha confiança. Ele me conhece mais que ninguém.
ResponderExcluirObrigado Leonan, obrigado Wlad!
Que a benção de Deus todo poderoso seja derramada sobre nós!